O RED

sábado, setembro 03, 2005

Pranto pelo dia de hoje

Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem se quer ser bem descritas

Sophia de Melo Breyner Anderson
(Livro VI, 1962)

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A geração silenciosa
pedro gadanho
in Publico de 28/08/05

Para qualquer indivíduo que tenha nascido após o 25 de Abril ademocracia não é sequer discutível. É uma herança ocidental, europeia e humanista que encaramos com naturalidade. (....) Porém estamos profundamente fartos de política partidarizada e de tudo aquilo que regurgita à volta da mesma: corrupção, hipocrisia,mesquinhez, falta de visão, conluio com os mais diversos interesses instalados, incapacidade de concretização. (.....) Porque não falamos então?, perguntar-se-á. As mentalidades mudam e, assim, aqueles que hoje em dia têm entre 25 e 40 anos - e, sejamos claros, aqueles que neste momento sustentam o país com capacidade de iniciativa e dedicação enérgica ao trabalho,quer se trate do sector privado, quer do público - dedicam-se primordialmente, e na medida do possível, a usufruir a boa vida que uma democracia ocidental lhes pode oferecer nos dias de hoje. A boa vida passa pela possibilidade de trabalhar, mas também pelo crescente usufruto do lazer e do consumo proporcionados por sociedades afluentes. (...) Nestas condições, a confiança no futuro distante éabundante. A boa vida é vivida em função de objectivos e recompensas palpáveis e imediatos. (...) Guardamos, apesar de tudo, também alguma esperança que esse sistema que desprezamos vá funcionando e, por entre os seus estertores edesvergonhas, nos vá mantendo naquele limite de viabilidade que, um dia - esperamos em segredo -, se transferirá inteirinha para o espaçopolítico europeu que, afinal, e depois de Delors ter tido a inspiraçãode nos ter mandado para os Erasmus e para os Leonardos, é aquele espaço político em que, em desespero de causa, nos preferimos rever. Talvez esteja na hora desta geração silenciosa começar a dar sinais de si. A crise de Estado que se começou a avolumar desde a euforia do final dos anos 90 parece ter atingido o ponto de rebuçado. Não só há sinais de que as pústulas do sistema começam a estar tão cheias que têm que rebentar e libertar o pus, como também a necessidade de reformas estruturais começa a ganhar contornos de urgência médica que, definitivamente, põe em risco até essa ansiada nemesis europeia. Por tal, há, de facto, que sair da letargia confortável a que a geração silenciosa se acometeu (...) Há que, por momentos, pôr de lado a euforia do trabalho e da criação, bem como os paraísos artificiais do consumo e do lazer, para vir a terreiro, interferir com as "vozes" que os media tem vindo a privilegiar sempre que uma boa cacha anti-governamental ou anti-o-que-seja o justifica. (...) Pois somos nós, sim senhor, essa geração silenciosa que, por acaso, é também já o sustentáculo central do tecido produtivo de qualquer sociedade. (...) Começa-me a perturbar (...) que o egoísmo, a mesquinhez e a estupidez profunda de muitos portugueses se traduza exclusivamente na ganância da acumulação monetária privada - quer seja pela manutençãode privilégios, quer seja pela corrupção, quer seja pela fuga aos impostos -, esquecendo que o interesse do conjunto é o que prevalecerá na qualidade de vida dos seus descendentes. (...) Por isso, pessoalmente, venho dizer: eu abdico. Sim, sou professor e agente da função pública e, sim, abdico. Declaro abdicar de todos os direitos que adquiri e todos os que não adquiri desde que iniciei a minha prática profissional para garantir um futuro mais acolhedor para todos. (..) Porém, se abdico, também me sinto no direito de exigir. E, então, exijo inclemência para as verdadeiras iniquidades que estão a debilitar este país: a corrupção e o caciquismo terceiro-mundistas; os privilégios e os "direitos adquiridos" na senda da saída de um regime débil e mesquinho; o escoamento e lavagem da riqueza nacional por entre os tentáculos das economias paralelas. Se possível fosse, exigiria também inclemência para com a inveja e acupidez, esses "nobres sentimentos" que parecem agora grassar como uma espécie de referências nacionais.Há uma geração silenciosa que aguarda que esta pele viscosa que a rodeia se descole por si, que caia de podre e que a liberte para uma identidade europeia mais saudável. Mas parece que, entretanto, e antes também que essa geração inquine pelo mesmíssimo mal, algo tem que ser dito a partir da obstinação do silêncio. Arquitecto,

Querida Sara

Que saudades ja tenho de tua pessoa! Que falta me faz a tua presença! Que ausencia é esta a do teu cheirinho! O tempo só passa depressa quando estamos perto de quem amamos, não achas?

Para me consolar tenho lido a Sophia que te traz sempre para perto de mim....

Mas, nada supera esta distancia, este mar adentro que se adensa quando olhamos e nao te vimos!

Um coração grande sempre aqui junto do teu.
MJCorreia


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